Post by Susana: amiga, irmã, vizinha.
Obrigada querida, adorei.
Querida Inês,
Passam agora 6 meses desde que voltaste de Itália (e 3 desde que eu voltei ). Desculpa-me só escrever agora. Acho que este vai ser um longo post…
Dei uma olhadela no teu blog, que já não via há muitos meses, e percebi (mais uma vez) que vivemos lá muitas coisas, em muitos sítios… ri-me feita parva de algumas fotos, de algumas coisas que escreveste, de que eu já nem me lembrava. Ainda bem que ficou de testemunho o teu blog. É muito giro ver como mudámos ao longo do tempo.
Como é sabido nunca te escrevi nada, a experiência de estar lá porta com porta com vocês dispensava que eu deixasse as minhas opiniões escritas…bastava abrir a porta e gritar lá para cima:) Mas agora, e como o prometido é devido, escrevo-te a ti (estás à vontade para pôr no blog ou não). Acho que tenho que deixar o testemunho do que foi a nossa partilha durante estes 6 meses. É difícil fazê-lo, mas basta-me pensar no que houve de melhor.
A vida não nos junta por acaso, e basta pensar numa balbúrdia de um teste de Economia em que me virei para trás, coisa que fiz duas vezes nos 4 anos de curso, e perguntei a uma miúda que não conhecia de lado nenhum uma fórmula qualquer que era a única coisa que eu não sabia responder no teste. E tu, da mesma maneira que eu perguntei, assim respondeste… Sem sonharmos sequer que nos viríamos a conhecer, mas como se já conhecêssemos.
Por isso, não me esqueço de muitas fotografias:
Dias frios e uma cidade feia e estranha…
Telefonemas intermináveis (“- Dita o número, segura no telefone, o que é que achas desta casa?”)…
Olhares desconfiados e ao mesmo tempo maravilhados com a casa…
A subida à torre e os sorrisos…
As confusões com as schedas, os cartões, os sims do telemóvel que afinal eram da net, e vice-versa…
A tua resistência às constipações, espirros, tosses e mariquices das meninas…
A tua revolta, transformada em força e paz na partida inesperada e no regresso…
A energia para acordar cedo…
A vozinha de manhã “Susana, estás a dormir?”…
A cidade a tornar-se bonita…
As viagens de comboio…
A máquina fotográfica sempre para todo o lado…
O soninho à noite…
A vontade de estar sozinha…
A paciência para as nossas parvoeiras…
Os passeios de bici e as buzinas todo o caminho a apitarem uma para a outra…
A preocupação com as minhas horas tardias…
As compras no mercado…
Os cozinhados, os bolos, e a melhor bôla de todo o sempre…que saudade…
As conversas francas e os desabafos…
O hotel “Kaput”e o teu espanto, e depois força, ternura e ajuda…
Os conselhos, o teu “andar para a frente”…
A protecção e a preocupação na justa medida, o saber quando é hora de deixar chorar e hora de dizer para pegar na bici ou apanhar um comboio para um lado qualquer…
As tuas saudades de casa, e do Rafael…
As colchas, panos, toalhas, tapetes, a tua vontade de tornar o Ganaceto 90 uma coisa parecida com uma casa…
As tuas certezas na vida, o seres fiel ao que pensas, a tua paciência para esperar que tudo se resolva…
Os cursos de Italiano ao ar, a gente a esconder-se da chata da Chiara…
As aulas de decoupage, e os sacos que não secavam nem por nada…
A ternura da tua família (Rafael e Inês incluídos) que parecia que já conhecia, e o bom de terem vindo ao livro…
A tua timidez e tua divertida despreocupação…
Dias quentes, jantares e festas…
Piscina, compras, bolos, e mais fotos…
A batata que virou planta e as brincadeiras com isso – eu não sabia mesmo…
A guerra com as formigas…
As malas a abarrotar…
E ainda, com a Raquel:
A sua contagiante alegria, e insólita visão das coisas… um divertido sentido prático para tudo…
Os pequenos-almoços ao meio dia no Gran Caffè…
A tentativa frustrada de nos infiltrarmos no Ermes…
As horas na net, os gritos, sussurros e gargalhadas…
As horas de conversa, as loucuras à hora de jantar, a hora da parvoíce, os disparates que dizíamos e o disparate do quanto comíamos…
As bolachas com Nutela…
Os empregados de tantos cafés e lojas fascinados com os seus olhos azuis, e os descontos e ofertas que faziam…
As célebres “Hum ,Augusto, grande casa… “, “granda pão”, e as longas afirmações que terminavam com um “ou não”…
A mensagem da minha tia com uma foto de um bife a cavalo e o texto “mostra à Raquel”…
Os meninos na cesta:) Obrigado, Raquel, pela saudável e divertida loucura que partilhámos, e pela tua contagiante alegria.
E finalmente,
O esforço que fizeste para não cair de sono depois do jantar, e quando saíram todos, as horas que ainda ficámos a conversar…
Por isso, Inês, para além das tuas fotos tenho estas, com cores e sons e cheiros, choros, sorrisos e gargalhadas, e a prova de como nada é pequeno, ou de como nas coisas pequenas está a maior beleza, está tudo o que somos.
E sendo tão diferentes em tanta coisa foi muito bom ver a beleza na tua maneira de ser, para afinal perceber que somos muito iguais… É disto que eu me lembro.
Foi uma sorte e um prazer ter tido a tua amizade. Quando quiseres vem cá abaixo ou grita que eu oiço:)
Da sua vizinha,
Susana




















































































































































































































































































































































































